CINEMA:
O diretor José Padilha ficou nacionalmente conhecido ao filmar o seu (bom) documentário “Ônibus 174″. O completo reconhecimento internacional do trabalho do cineasta, contudo, só veio com o ótimo “Tropa de Elite”, filme assistido por 80% da população da cidade de São Paulo, segundo o IBOPE. Mais de 70% dos espectadores consideraram o filme – que trata de temas polêmicos como corrupção e drogas – bom ou ótimo.
Com um excelente roteiro e uma qualidade surpreendente para uma produção nacional, a película foi muito bem filmada, com destaque para os enquadramentos – todas as cenas forma feitas com uma câmera portátil – e para o som A impressionante atuação do ator baiano, Wagner Moura, também foi uma das responsáveis pelo Urso de Ouro conquistado no festival de Berlin.
Tropa de Elite (1) caiu rapidamente nas graças da população brasileira porque, partindo do argumento inicial de um ex-capitão do BOPE, o filme é bastante realista e expõe a corrupção que assola a polícia do RJ – muitas vezes associada ao tráfico, corrupta, despreparada, mal aparelhada e mal remunerada. Dentro deste quadro, surge o BOPE, último bastião da honestidade e eficiência policial.
O roteiro do primeiro filme foi escrito por: Rodrigo Pimentel (ex-policial do BOPE), Padillha e Bráulio Mantovani (considerado o melhor roteirista brasileiro). Já o do segundo filme não terá mais a participação do ex-capitão do BOPE, o que deixa no ar dúvidas quanto a manutenção da qualidade.
A intenção dos roteiristas era fazer uma crítica contundente e realista à essa realidade de guerra urbana – e todos sabem que nas guerras não existem limites para a brutalidade.
A produção de “T. de E.” foi chamada de “fascista” por grande parte da imprensa porque trata a bandidagem como ela realmente é percebida pelo povo: cruel, violenta sem escrúpulos e sem limites. Para Padilha e Pimentel , não existe relativismo, e o Rio de Janeiro mergulhou num verdadeiro caos, onde o tráfico de drogas tomou o lugar do Estado, financiado pelos usuários de drogas e acobertado pela corrupção policial.
Desta vez, no novo filme, porém, a corrupção política (os tais “peixes grandes”) será o tema – daí a crítica “ao sistema”.
Considero José Padilha o melhor cineasta brasileiro, pela qualidade de suas obras, mas também, principalmente porque ele não se parece nem um pouco com o típico diretor de cinema nacional – invariavelmente esquerdista e relativista -, que quase sempre retrata a criminalidade como um problema social; para a esquerda nacional, bandido é vítima.
No entanto, é muito provável que Padilha tenha sido alvo de patrulhamento no seu meio profissional – notório consumidor de drogas lícitas e ilícitas. Este fato não pode ser esquecido.
No blog oficial do filme “Tropa de Elite 2” você poderá acompanhar o dia a dia da produção: fotos do elenco, notícias em primeira mão e vídeos com o treinamento dos atores, bastidores das filmagens e muita ação.
Com lançamento programado para o dia 8 de Outubro de 2010, vem aí a continuação do melhor filme brasileiro de todos os tempos, com destaque também para a inesquecível canção tema do Tihuana:
DIGA NÃO ÀS DROGAS. DIGA NÃO ÀS DITADURAS.
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