Quarto disco de estúdio da banda de Baltimore mistura elementos de hardcore com música dançante e etérea
Lançado em 2025, “Never Enough” é um dos melhores álbuns do ano e o ápice da loucura criativa do Turnstile. A banda jogou punk, disco, new wave e ambient no liquidificador e criou algo novo. Quebrando barreiras, “Never Enough” é uma avalanche sonora de um dos conjuntos mais interessantes da atualidade e foi gravado pela seguinte formação: Brendan Yates (vocal e teclados), Pat McCrory (guitarra), Franz Lyons (baixo) e Daniel Fang (bateria) — com participações de Hayley Williams (vocal de apoio) e Dev Hynes (vocal de apoio), entre outros.
Turnstile Banda Hardcore Punk?
Aquele som rápido e direto que nasceu nos anos 80 como uma versão ainda mais intensa do punk rock, conhecido como hardcore, encontrou em Baltimore um terreno fértil para evoluir. Separada por apenas alguns quilômetros de Washington D.C., alguns moradores da cidade absorveram também o go-go (um subgênero do funk). De fato, os artistas de Baltimore nunca tiveram medo de quebrar regras. Foi nesse ambiente que os integrantes do Turnstile cresceram, absorvendo tanto a agressividade crua e os riffs pesados do hardcore quanto os ritmos dançantes que pulsam pelas ruas da cidade, criando um som que consegue fazer tanto os puristas do punk quanto quem curte um rock mais melódico ficarem de queixo caído.
Turnstile Never Enough Review
Vamos analisar faixa por faixa um dos melhores álbuns de 2025:
A faixa título “Never Enough” é um hardcore punk recheado com uma letra que aborda temas interessantes como: ética, pressão da vida moderna e a busca incessante por satisfação.
A segunda música é “Sole”, outro som hardcore carregado de riffs e temperado com efeitos produzidos por pedal digital delay (ou algo similar) e que dão um certo colorido ao som cru característico do gênero, escapando do lugar comum com extrema eficiência sem comprometer a qualidade sonora. A letra faz uma critica ao individualismo e ao isolamento social.
A terceira é “I Care”, a mais pop e uma das melhores do álbum. A canção mescla peso e melodia, com saborosos riffs do guitarrista Pat McCrory e interessantes efeitos de sintetizador produzidos por Brendan Yates. O baixista Franz Lyons e o baterista Daniel Fang marcam presença com a precisão e a competência que lhes são peculiares. A letra é simples e aborda um tema muito caro para os integrantes do Turnstile: a empatia.
Já “Dreaming” tem até uma levada mexicana onde metais reproduzem o som de mariachis, tudo isso com aquela pegada punk. Mais uma mistura inovadora, embora não seja das melhores da obra. Os riffs de Pat McCrory no fim são o ponto alto.
Por sua vez, “Light Design” exagera propositalmente nos efeitos do delay (eco) na voz. Uma faixa curtinha feita a partir de sintetizadores tocados por Brendan Yates e encerra com um solo cheio de efeito fuzz disparado por McCrory.
Uma das melhores faixas do álbum é a “Dull”, onde McCrory constrói com riffs sólidos e poderosos a estrutura de uma canção empolgante e adornada com uma letra repetitiva que evoca uma chamada telefônica, símbolo da turnê.
Contraste é a principal característica de “Sunshower”, que inicia com uma dose cavalar de hardcore punk na veia! O ritmo acelerado evidencia ótima forma de McCrory, Lyons e Fang. A faixa termina com um som etéreo e zen, um zumbido calmante que remete o ouvinte aos andes peruanos.
A originalidade de “Look Out For Me” está no fato da música estar atrelada a um videoclipe dirigido por Brendan e Pat com visão existencialista, quase cinematográfica e com fotografia de cair o queixo. Musicalmente, mostra a eficiência do guitarrista em detonar riffs sísmicos a uma velocidade poucas antes vista. A canção é permeada por momentos calmos, alternando silêncio e som alto (difícil definir o efeito que isso causa no cérebro, mas é gostoso, hehe).
“Ceiling” é daquelas curtinhas características do Turnstile. Ela serve de introdução e aperitivo para o prato principal que está por vir: a romântica “Seiing Stars”, que conta com a participação da vocalista do Paramore, Hayley Williams, e na qual a influência do The Police (a banda que mais teve êxito misturando punk rock e pop music) é revelada. De quebra, o melhor solo já gravado pelo guitarrista.
A hardcore “Birds” emenda na música anterior (inclusive no videoclipe duplo) e tem McCrory demolindo tudo novamente com riffs simplesmente espetaculares para não deixar ninguém parado. A letra vai contra o lugar comum e fala de como é bom terminar uma relação, exaltando a liberdade com analogia a um pássaro que voa livremente. Bem legal.
Já a pesada “Slowdive” tem a melhor e mais elaborada letra do álbum, abordando o desgaste em um relacionamento amoroso no Século XXI. Outra melodia com alicerçada nos riffs inspirados de Pat McCrory. Em que pese uma boa dose de originalidade, percebe-se as (boas) influências de Black Sabbath (na primeira metade) e de Rage Against The Machine (na segunda), no vocal, na guitarra e na bateria.
Encaixada propositalmente na parte final do álbum, “Tim is Happening” não tem destaque, tem uma melodia razoável e termina com a utilização inteligente do silêncio como elemento fundamental de criação no contexto da música.
Finalizando a bolacha (sim vai ter LP), a simplória “Magic Man” parece ter sido criada para preencher alguns minutos com sua melodia monótona feita com sintetizador. Como num passe de mágica, é salva por uma letra otimista, porque uma mensagem de esperança é e sempre será algo de muito bom gosto.
Turnstile Banda Hardcore Punk: Quem é Quem
O visionário Brendan Yates é o vocalista, tecladista e principal força criativa do Turnstile. É cofundador da banda de Baltimore que está revolucionando o hardcore punk. Seu leque de influências é enorme: hardcore, go-go, sinthpop, R&B, funk, dream pop…Sua voz crua e autêntica, combinada com sua habilidade de fundir estilos, cria um som universal que atrai desde fãs de underground até o mainstream. Yates também é líder comunitário, cofundador da Pop Wig Records e inspira uma nova geração ao mostrar que o hardcore pode ser emocional, experimental e acessível, redefinindo o gênero no século XXI.
Pat McCrory é guitarrista do Turnstile desde 2016, vindo da banda Angel Du$t, e é peça essencial no som inovador do grupo que combina hardcore punk com elementos dançantes. Natural de Baltimore, ele possui influências ecléticas que vão desde punk/hardcore (Bad Brains, Madball) até city pop japonês, country, trance e techno, passando por bandas como Incubus e Red Hot Chili Peppers. Sua técnica é marcada pelo uso especializado de palm-muting e power chords pesados com grooves melódicos. Além disso, ele é co-diretor dos videoclipes da banda.
Os caras acertaram a mão com a entrada da nova guitarrista, a britânica Meg Mills, um uppgrade. Ela já tocava com a banda ao vivo desde 2023 e entrou oficialmente em 2025. Na cena hardcore do Reino Unido, tocou em bandas como Big Cheese e Chubby and the Gang. Seu estilo mescla o hardcore de Nova York com riffs de metal britânico dos anos 80. Suas influências passam por: Blondie, The Breeders, PJ Harvey, Cro-Mags e Warzone. Embora ainda não tenha gravado nenhum álbum com o Turnstile, ela arrasa ao vivo com sua energia e precisão na guitarra base. Mills chegou com tudo e trouxe uma vibe nova.

Franz Lyons, conhecido como “Freaky Franz”, é o baixista do Turnstile, membro fundador desde 2010 que ajudou a moldar a trajetória da banda com sua energia acrobática e presença de palco imbatível. Suas influências vão desde hardcore (Bad Brains, Black Flag, Fugazi) até rap (Master P, Trick Daddy), go-go e jazz, criando um estilo único. Sua técnica é marcada por energia bruta e groove contagiante, que visa para alicerçar o som com linhas funcionais que servem à cozinha (entrosamento baixo e bateria). Lyons foca em servir a música sem firulas desnecessárias, sustentando a agressividade sonora punk enquanto adiciona doses dançantes.
Daniel Fang é um baterista formado na cena punk e go-go (estilo com raízes no funk com batidas percussivas) de Baltimore, conhecido por sua técnica precisa e energética que funde hardcore punk com elementos rítmicos dançantes. Daniel toca em outras bandas como Angel Du$t e Praise, além de ser cofundador da Pop Wig Records. Fang dosa agressividade com grooves cativantes, criando batidas inventivas sem exageros ou pirotecnia. Ele é considerado um dos bateristas mais respeitados da cena punk atual, sendo essencial para o som atômico do Turnstile.
Turnstile
Em 2010, nas ruas de Baltimore, nascia uma máquina sonora que quebraria paradigmas e mudaria o para sempre o hardcore punk. Era uma banda gritando contra o sistema pronta para explodir todas as convenções do gênero. A formação original do Turnstile tinha sangue nos olhos: Brendan Yates (vocal), Brady Ebert (guitarra), Franz Lyons (baixo) e Daniel Fang (bateria).
Álbuns anteriores
Nonstop Feeling (2015)
O primeiro álbum do Turnstile, gravado no Salad Days Studios com Brian McTernan, é um marco do hardcore punk, com um som vibrante e cru. Faixas como “Come Back for More” e “Fazed Out” mostram velocidade e peso e, por vezes, melodias cativantes, gerando bons sons. Essa obra musical captura a essência dos shows intensos de Baltimore e marca o início da revolução sonora do grupo, equilibrando agressividade e grooves acessíveis (mesmo que timidamente nessa fase).
Time & Space (2018)
Já o segundo álbum evidencia a evolução da banda com um som mais pesado, inteligente e denso, mantendo a pegada hardcore enquanto introduz atmosferas melódicas e grooves que fazem você balançar a cabeça. A obra marca a estreia do guitarrista Pat McCrory, cuja levada rítmica com power chords e grooves melódicos constroem faixas como “Generator” e “Moon”, equilibrando visceralidade e sofisticação. Aclamado como o melhor álbum de 2018 pela Kerrang! e o terceiro melhor pela Revolver Magazine, Time & Space consolidou a galera como uma força inovadora no rock and roll.
Glow On (2021)
O terceiro álbum segue pelo caminho desbravador (e vai além) dos álbuns anteriores, misturando funk, dream pop e R&B em um caldeirão sonoro que rendeu duas indicações ao Grammy para as excelentes faixas “Blackout” e “Holiday”. “Mystery” e “Don’t Play” destacam-se pela intensidade punk . Por sua vez, as canções “T.L.C. (Turnstile Love Connection)” e “Endless” misturam emoção e peso. O baixista Franz Lyons dá uma de vocalista em “No Surprise”, que faz muito sucesso com os fãs. Glow On solidificou o Turnstile como pioneiro do rock moderno.

Gostaram de Turnstile Never Enough Review?
Acho que desta vez eles ganham um Grammy, e você? Se você chegou até aqui é porque deve ter gostado do review de um dos melhores lançamentos de 2025 e um dos melhores álbuns de hardcore deste século. Aproveite para conhecer outros artigos aqui do Rock And Roll Blog Br, bem como nossas redes sociais. Críticas e sugestões são sempre benvindas.
Abração!
Álbum “Never Enough” do Turnstile.

LP em vinil colorido (Jet Ski Blue)
Lindo vinil azul‑turquesa lançado pela gravadora Lookout em edição limitada. É uma edição especial que combina música e design para quem curte Turnstile. Perfeito para fãs e colecionadores que buscam algo além da simples gravação.


