Quando falamos da banda britânica The Mysterines, falamos inevitavelmente da sensibilidade e da inteligência de Lia Metcalfe, o coração e o cérebro por trás do grupo
O amor da cantora, guitarrista e compositora britânica Lia Metcalfe pela música começou cedo. Durante a infância, ela era fã de Miley Cyrus, Martha Reeves e Karen O (vocalista da banda Yeah Yeah Yeahs). A menina passava horas e mais horas assistindo vídeos dessas artistas, tentando copiar suas performances. Pois é, seu talento pode ter vindo naturalmente, mas ela se tornaria líder de uma das bandas mais interessantes do rock alternativo atual depois de muito suor e dedicação.
Aos 14 anos, Lia conheceu o baixista George Favager e, anos depois, eles encontrariam os demais membros do The Mysterines em um pub chamado The Shipping Forecast, em Liverpool. Criada numa cidade onde a música rola em cada esquina, Metcalfe reconhece que sempre foi influenciada pela da cultura local. Além disso, durante um ano inteiro na escola primária, a líder do The Mysterines estudou a história dos Beatles, parte do currículo e praticamente um rito de passagem na mesma Liverpool.
Sendo assim, seu destino parecia inevitável. Lia Metcalfe começaria a se apresentar sozinha em cafés e bares com apenas 16 anos. Segundo revelou a moça, Liverpool oferece oportunidades únicas, pelas quais a banda se sente profundamente grata. Essa identidade compartilhada da cidade natal dos Beatles fortaleceu os laços entre os membros do grupo, que cresceram com experiências muito parecidas, criando liga e um senso de coesão bem forte.
Mas nem tudo foi um mar de rosas para a vocalista que tem o rock and roll nas veias e sua banda até conseguirem lançar um álbum. Não que o problema fosse falta de inspiração para composições, mas a falta de espaço e boa vontade na grande mídia, mesmo num país com fortes raízes culturais fincadas no rock como é o Reino Unido. Por isso, antes de conseguir lançar o primeiro álbum, a banda disponibilizou sete faixas divididas em dois EPs, Take Control (analisado no post anterior) e Love’s Not Enough, ambos pelo próprio selo, Pretty Face Recordings. E é sobre o segundo EP o assunto principal deste post.

Love’s Not Enough (2020)
A gravação do segundo EP rolou no renomado Parr Street Studios num clima descontraído: nada de frescura ou mil exigências, apenas a banda entrando no estúdio e deixando o rock falar mais alto. As faixas “Love’s Not Enough” e “Who’s Ur Girl” foram registradas no mesmo dia. Lançado em maio de 2020 e com produção a cargo do vocalista e guitarrista da banda The Coral, James Skelly (que também produziu as bandas Blossoms, She Drew The Gun, The Circles e The Sundowners), e Chris Taylor (engenheiro de som e gerente geral do estúdio Parr Street), Love’s Not Enough tem apenas 3 faixas.
A letra romântica da faixa “Love’s Not Enough” trata do fim de um relacionamento, minado pelo desgaste. É um retrato da maturidade chegando para jovens que percebem que nem sempre a paixão é o suficiente para segurar um relacionamento tedioso. A estrutura da letra é ótima para rock and roll e está recheada de rimas legais e outros achados. Uma canção perfeita para quem curte alt rock embalada pela excelente voz da carismática Metcalfe. Tem videoclipe:
“Who’s Ur Girl?” é uma música bem legal onde inexiste preocupação com rimas. Uma letra adequada para uma canção de rock construída com imagens sensuais e poéticas, passeando por temas como autoconhecimento, emoções à flor da pele e questionamentos sobre o amor. Musicalmente, essa faixa pode ser definida como um rock and roll temperado com o peso grave do baixo Rickenbacker de George e a voz igualmente grave de Lia.
A faixa “I Win Every Time” possui rimas muito boas, com palavras fortes que combinam esteticamente com a melodia. Escorada mais uma vez no bom baixista e seu Rickenbacker, “I Win Every Time” é outra canção cheia de energia visceral, fruto do processo criativo intuitivo utilizado pela banda naquela época. A música começa muito bem, mas a impressão que fica é que o refrão poderia ter sido melhor trabalhado, embora a música como um todo seja interessante.
The Mysterines Lia Metcalfe
O baterista original do The Mysterines deixou o grupo em janeiro de 2020. A banda passou um tempo curto sendo um duo, mas em maio de 2020 passou a ser um quarteto e com a seguinte formação: Lia Metcalfe (vocal e guitarra), Callum Thompson (guitarra), George Favager (baixo) e Paul Crilly (bateria).

No próximo post, vamos dar um pente-fino no primeiro álbum do The Mysterines.
Até lá, abração!
Afraid of Tomorrows [LP]

Disco de vinil da banda The Mysterines
Segundo álbum da banda de rock britânica liderada pela talentosa vocalista e guitarrista Lia Metcalfe. Edição em vinil do disco do The Mysterines que não pode faltar na coleção de quem aprecia rock alternativo.


