De banda underground cultuada por intelectuais a sucesso nas paradas pop. Rick Davies, Roger Hodgson e o Supertramp subverteram a lógica unindo art rock com pop rock como nenhuma outra banda da história
Existem canções que atravessam décadas sem perder uma única nota de encanto. Há vozes que, mesmo décadas depois, parecem vir de um lugar que só a música consegue alcançar. Roger Hodgson tem as duas coisas.
Nascido em 21 de março, na Inglaterra, e batizado com o nome completo de Charles Roger Pomfret Hodgson, ele cresceu entre acordes e melodias que o mundo ainda hoje canta de cor. Cantor, compositor, guitarrista e tecladista, Roger é o talentoso arquiteto sonoro por trás dos maiores momentos do Supertramp, a banda que ajudou a fundar e que se tornaria um dos projetos mais aclamados do prog rock e do art rock.
Mas antes dos estádios lotados e dos hits que tomaram as rádios do mundo inteiro, havia um jovem inglês com imaginação fértil e uma capacidade incomum de transformar sentimentos em canções. Hodgson fazia suas composições calcado no Existencialismo, filosofando sobre o estranhamento de crescer, sobre a busca por sentido num mundo barulhento. E conseguia fazer isso com uma leveza melódica que tornava tudo parecer inevitável.
A mente por trás dos maiores his do Supertramp
Pode-se afirmar que Rick Davies, Roger Hodgson e o Supertramp mudaram o cenário do pop rock, alcançando os primeiros lugares em rádios do mundo todo. Foi Roger que compôs os maiores sucessos da banda. Em parceria com Rick Davies — o outro genial arquiteto do grupo —, Hodgson moldou o som que definiria uma geração inteira de ouvintes. Mas a lista de composições que saiu exclusivamente de sua cabeça e coração é impressionante por si só.
- “The Logical Song”
- “Dreamer”
- “Give a Little Bit”
- “Breakfast in America”
- “It’s Raining Again”
- “Take the Long Way Home”
- “Fool’s Overture”
- “School” (esta com Rick Davies)
“Give a Little Bit”, lançada em 1977, chegou à posição número 15 na tabela do Billboard Pop Singles e ao número 29 nos singles do Reino Unido — um hino de generosidade disfarçado de pop-rock que ainda soa fresco décadas depois. “The Logical Song”, de 1979, foi ainda mais longe: uma reflexão filosófica sobre a perda da inocência embalada por uma melodia irresistível, que se tornaria um dos grandes clássicos do rock mundial.
Dono de imenso talento, ele compunha confissões com melodia que se transformaram em hits mundiais.
Breakfast in America: A Obra-Prima
Se há um momento que define com precisão cirúrgica o talento de Roger Hodgson, esse momento tem nome: Breakfast in America. Lançado em 1979, o álbum é amplamente considerado a obra-prima do Supertramp. Com produção impecável, letras perspicazes e uma sequência de faixas que parecem se encaixar como peças de um mesmo quebra-cabeça, o disco é uma declaração de intenções artísticas de altíssimo nível.
As mais de 20 milhões Cópias vendidas de Breakfast in America fazem dessa obra um dos álbuns de rock mais vendidos de todos os tempos. Um feito construído sobre canções como a faixa-título, “Take the Long Way Home” e “The Logical Song”.
A faixa-título, curiosamente, foi escrita por Hodgson quando ainda era adolescente. “Take the Long Way Home” entrou para o imaginário coletivo como um dos maiores road songs já compostos, enquanto “The Logical Song” consolidou Hodgson como um letrista capaz de capturar, em três minutos e meio, angústias que filósofos levam séculos tentando descrever.
Vinte milhões de cópias vendidas e bem mais que vinte milhões de pessoas ouviram aquelas melodias e sentiram que alguém, do outro lado do mundo, entendia exatamente o que elas estavam vivendo.
Roger Hodgson e o Supertramp: Discografia
A trajetória de Roger Hodgson com o Supertramp e em carreira solo somam um total de 14 álbuns — 9 com a banda e 5 como artista independente. Cada um deles carrega marcas inconfundíveis de sua visão musical: arranjos cuidadosos, letras com profundidade e aquela voz cristalina que nenhum ouvinte consegue esquecer após a primeira escuta.

Álbuns com o Supertramp
Supertramp (1970)
Indelibly Stamped (1971)
Crime of the Century (1974)
Crisis? What Crisis? (1975)
Even in the Quietest Moments… (1977)
Breakfast in America (1979)
Paris — ao vivo (1980)
Famous Last Words… (1982)
Live in Paris ’79 (expanded version of other Paris) (2025)
Álbuns Solo
In the Eye of the Storm (1984)
Hai Hai (1987)
Open the Door (2000)
Rites of Passage (1997)
Classics Live (2010)
A Jornada Solo
Quando Roger Hodgson deixou o Supertramp em 1983, muitos se perguntaram se a magia sobreviveria à separação. A resposta veio nas décadas seguintes, na forma de cinco álbuns solo que mostraram um artista ainda em plena expansão criativa. Longe da estrutura da banda, Hodgson pôde explorar novos territórios sonoros sem abrir mão da essência pop que o tornara inconfundível: melodias que grudam na memória, letras que tocam a alma.
Sua carreira ao vivo solo também se revelou extraordinária. Tocando para multidões ao redor do mundo, ele provou que as canções que compôs décadas atrás não envelheceram; elas ganharam uma nova camada de significado quando interpretadas por um artista que viveu cada palavra que escreveu. Ver Roger Hodgson ao vivo é, para muitos fãs, uma experiência quase transcendente: a voz intacta, a emoção genuína, as melodias que soam como velhos amigos. Ele já veio várias vezes ao Brasil onde se apresentou em nada menos que 13 cidades.
Ele também fez parcerias outros grandes nomes do rock, como: Yes (é co-autor da faixa “Walls”), Trevor Rabin (na canção “The More I Look” e Ringo Starr.
A Música, Roger Hodgson e o Supertramp
É difícil medir com números o impacto de um artista como Roger Hodgson na cultura musical do século XX. Mas alguns dados ajudam a dimensionar: canções suas foram regravadas, sampledas, usadas em filmes, séries e comerciais; “The Logical Song” foi eleita uma das melhores composições do rock britânico por diversas publicações especializadas; e “Breakfast in America” permanece, décadas depois, como referência obrigatória em qualquer estudo sério sobre o rock progressivo.
Mais do que isso, Hodgson conseguiu algo raro: criar músicas que falam a pessoas de gerações, culturas e histórias completamente diferentes. Um adolescente de hoje que descobre “Dreamer” pela primeira vez sente o mesmo arrepio que seus pais sentiram quando a música foi lançada. Essa é a marca de um compositor verdadeiramente extraordinário.
Charles Roger Pomfret Hodgson nasceu numa manhã de março na Inglaterra. Mas suas canções pertencem ao mundo inteiro, assim como pertencem ao tempo.


