Tony Martin Black Sabbath: a história do vocalista que salvou a maior banda de heavy metal do mundo
Dando prosseguimento à nossa série especial sobre o Black Sabbath, vamos retomar de onde paramos. No post anterior, vimos como os vocalistas Ian Gillan e Glenn Hughes — ambos ex-integrantes do Deep Purple naquela época — tiveram momentos bem distintos no maior conjunto de metal da história. Agora é hora de mergulhar na era que muitos consideram a mais subestimada e, ao mesmo tempo, uma das mais consistentes da trajetória do grupo: a fase Tony Martin Black Sabbath, um período que durou quase uma década e que provou que, mesmo após as eras clássicas com Ozzy e Dio, a banda ainda tinha muita lenha para queimar.
Tony Martin foi uma verdadeira força da natureza que segurou as rédeas do Sabbath numa época em que a banda precisava de alguém com peito pra ser o front man de um verdadeiro monstro sagrado da história da música. Entre o final dos anos 80 e meados dos 90, esse cara se tornou o segundo vocalista que mais tempo ficou na banda, perdendo só pro próprio Ozzy.
Tony Martin Black Sabbath e a era esquecida que definiu os anos 80 e 90

O que mais impressiona é como Martin conseguiu fazer essa transição do doom metal clássico para uma pegada mais moderna do heavy metal, sem perder a densidade e o peso que fazia o Sabbath ser o que era, mas ao mesmo tempo agregando algo original e melódico. O cara botava a mão na massa, colaborando na composição das músicas e mostrando que tinha uma voz comparável a do o próprio Dio, que já era considerado um dos maiores de todos os tempos.
Durante essa época, Martin gravou cinco álbuns de estúdio bem interessantes: The Eternal Idol (1987), Headless Cross (1989), Tyr (1990), Cross Purposes (1994) e Forbidden (1995). E pra completar essa discografia de respeito, ainda temos o registro ao vivo “Cross Purposes Live” (1995). Cada um desses discos mostra como o cara conseguiu manter a essência do Sabbath enquanto agregava elementos de sua própria personalidade à sonoridade da banda.
The Eternal Idol (1987)
O álbum The Eternal Idol foi lançado em 1987 e marcou a estreia de Martin no comando dos vocais do Black Sabbath, depois que Ray Gillen vazou da banda após ter feito algumas demos. Esse disco é meio controverso entre os fãs, já que tem momentos bons, mas no geral deixa a desejar se comparado com os clássicos. Eis a formação: Tony Martin (vocal), Tony Iommi (guitarra), Bob Daisley (baixo), Geoff Nicholls (teclados) e Eric Singer (bateria).
Na fase Tony Martin Black Sabbath, a banda desbravou novos horizontes criativos e artísticos.
“The Shining” abre o álbum com Tony Iommi fazendo belos harpejos e Martin mostrando que tem uma voz realmente poderosa. Mas a faixa meio que para por aí e não empolga. O problema é que o som da bateria tá mais parecendo Kiss do que Black Sabbath. Rolaram três produtores diferentes durante as gravações, algo que definitivamente bagunçou o resultado. A crítica e o público consideraram o álbum como morno, e dá pra entender o porquê , uma vez que até o som da guitarra tá bem menos distorcido e pesado que em eras anteriores.
“Ancient Warrior” é a favorita do próprio Iommi nesse trabalho e carrega versos interessante que falam metaforicamente de temas da Bíblia, como Jesus e profetas.
“Hard Life to Love” vem com riffs formidáveis e o vocal do Martin bem firme, enquanto “Glory Ride” também é bem legal e ganha um upgrade com mais um solo espetacular do Tony, adornando uma letra falando de guerras sangrentas.
A música “Born to Loose” soa quase como uma faixa do Deep Purple dos anos 80. Cheia de licenças poéticas, a letra possivelmente remete ao fim de uma relação amorosa. A canção se escora em boas rimas e em excelente solo de guitarra do Tony Iommi. “Nightmare” está alicerçada nos riffs de Tony (que até utiliza slide) e numa letra que discorre sobre um terrível pesadelo, com morte e até o próprio em pessoa capiroto “puxando o pé” de um infeliz.
Guitarra Elétrica SG de Madeira Maciça

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Já “Scarlet Pimpernel” é uma peça instrumental que deve ter sido encaixada só pra preencher 2 minutos e pouco do LP. “Lost Forever” espelha bem o disco todo, com Tony Iommi abandonando de vez o doom metal e querendo se encaixar na onda de heavy metal ligeirinho dos anos 80 e 90. O solo dele mais uma vez salva a canção do naufrágio.
A faixa-título “Eternal Idol” é a que mais tenta se aproximar da fase doom metal raiz do grupo, mas o resultado não é dos melhores, desaguando num tema meio arrastado. No fim das contas, o álbum marca uma transição, mas ainda não tinha encontrado o equilíbrio que viria nos discos seguintes.
Headless Cross (1989)
Headless Cross é considerado um dos melhores trabalhos da fase Martin, e não é à toa, o álbum consegue equilibrar sonoridade pesada com boas melodias. Desta vez, houve esmero na produção. O trabalho caprichado deixou o som da bateria excelente, melhorou muito o som do baixo em relação ao álbum antecessor, a guitarra está mais agradável também e o vocal nem se fala. Este long play (LP) foi o primeiro com o famoso baterista Cozy Powell. Foi gravado com esta formação: Tony Martin (vocal), Tony Iommi (guitarra), Laurence Cottle (baixo), Geoff Nicholls (teclados) e Cozy Powell (bateria).
Depois de uma curta introdução, a faixa-título “Headless Cross” traz uma letra macabra e já mostra logo de cara que se trata de um álbum bem superior ao antecessor.
“When Death Calls” traz ótimos desempenhos do Tony Martin, Tony Iommi e de ninguém menos que Brian May, guitarrista do Queen. A música é calcada no teclado de Geoff e é uma canção introspectiva com letra semi-existencialista que fala do encontro fatal e inevitável que todos teremos um dia, mas para por aí. O resto é licença poética com chavões sobre o inferno.
Por sua vez, “Devil & Daughter” é uma boa faixa, com desempenho realmente impressionante do vocalista, remetendo muito a Ronnie James Dio. A bateria evidencia o upgrade na troca de Eric Singer por Cozy Powell, que foi co-produtor junto a Tony Iommi. Como de hábito, o solo de guitarra é espetacular. A letra não tem nenhum traço de genialidade poética, mas por outro lado é extremamente funcional para o hard rock.
Os fãs de longa data nunca esquecerão o impacto da era Tony Martin Black Sabbath em suas vidas.
“Kill In The Spirit World” é uma ótima faixa e Martin parece ter encontrado o tom certo (inegavelmente parecido com Dio). A canção é quase um rock progressivo e tem uma letra com aquela receita: espírito, morte, pecado, perdição… e por aí vai. “Call of the Wild” contém verdadeiras lições de como solar com uma Gibson SG, tocar bateria e cantar. Outra letra cheia de licenças poéticas, misturando novamente temas da fé cristã e macabros: Luz Eterna, capiroto, bruxas, demônios com asas etc.
A letra de “Black Moon” fala de um eclipse lunar e forças ocultas, com uma atmosfera de mistério e perigo. Outra canção fora-de-série que marca o resgate definitivo do Black Sabbath do abismo infernal em que havia se metido, novamente por causa da enorme competência dos integrantes.
Para os fãs que estavam com saudades do Black Sabbath original, a faixa “Nightwing” é um verdadeiro bálsamo. Uma letra cheia de metáforas que fala de liberdade e introspecção. Sonzeira de primeira, agora até com solinho de baixo na introdução. Tony Martin mostrando que é gente grande.
Para fechar a bolacha, “Cloak and Dagger” trata de intriga, traição e segredos, usando metáforas de escuridão e afins. Uma canção novamente calcando a introdução nos teclados e deixando o filé mignon pro fim: o som da guitarra que todos os fãs do Black Sabbath amam. Fecha com chave de ouro mesmo!
Tyr (1990)
Esse trabalho representa uma continuação do estilo tradicional que o Sabbath vinha desenvolvendo com Martin, mas desta vez com uma abordagem diversificada. Embora muitos associem o disco apenas à mitologia nórdica por causa do título e algumas faixas, a verdade é que apenas algumas músicas realmente exploram essa temática, mas outras letras escritas por Tony Martin nada têm a ver com os deuses do norte, tangenciando assuntos como morte, moralidade, questões bíblicas e cristãs. Sendo assim, não se trata de um disco conceitual propriamente dito, mas de uma mistura poética de épicos nórdicos com reflexões existenciais e espirituais típicas do Sabbath.
O álbum também marcou a entrada de Neil Murray no lugar do baixista Laurence Cottle, trazendo uma nova dinâmica rítmica para a banda. A formação: Tony Martin (vocal), Tony Iommi (guitarra), Neil Murray (baixo), Geoff Nicholls (teclados) e Cozy Powell (bateria).
“Anno Mundi” é uma canção razoável que tem uma letra longa falando de Espírito Santo, morte etc, através de rimas fáceis e muita licença poética. Bom vocal, ótima bateria, eficiente baixo… mas a guitarra é o que mais se destaca (como sempre quando se trata do mestre Tony Iommi).
Os destaques em “The Law Maker” (que tenta catapultar o Sabbath para o metal dos anos 80 e 90) estão na bateria, nos vocais e no solo de guitarra final. A letra fala da luta entre ordem e caos, passeando por temáticas ligadas à divindade, poder, ética e moralidade.
Não há dúvida que o período Tony Martin Black Sabbath sempre será lembrado.
Na apenas razoável faixa “Jerusalem”, Tony Iommi oferece sonoridade que remete ao Oriente Médio (como não podia deixar de ser). Só para variar, Tony Iommi dá uma aula de como executar um solo de guitarra perfeito. A letra fala de busca por redenção e espiritualidade, numa vibe meio mística.
A letra de “The Sabbath Stones” divaga pela mitologia nórdica. Aqui, é possível perceber todo o alcance vocal de Martin — a comparação com James Dio é inevitável, muito embora o vocal grave deste seja bem melhor, Martin se sobressai nos agudos. Uma canção meio arrastada que não entra em nenhuma playlist do grupo e que Tony Iommi e Cozy Powell tentam (em vão) salvar no finzinho.
Eram os anos 80, por isso, “The Battle of Tyr” é apenas um instrumental com sintetizadores (era novidade, mas que hoje em dia dá até sono). Ela serve de introdução para “Odin’s Court”, uma canção que aparenta almejar ser progressiva com uma guitarra que tenta remeter ao Pink Floyd, tudo isso com Martin divagando sobre mitologia nórdica.
Já em “Valhalla” (cuja letra também aborda temas nórdicos mitológicos), somente passam de ano direto Cozy Powell e Tony Iommi. Todo o resto (incluindo letra, melodia etc) vai para a recuperação; uma pena, porque o tema tinha potencial pra render uma pancada épica.
Ainda bem que “Feels Good To Me” é uma ótima faixa. Uma canção com letra romântica e que evidencia o talento de Tony Iommi, o qual destila com maestria e rara sensibilidade fraseados de blues rock, escorado numa eficiente base de baixo e bateria; uma das faixas que nada têm a ver com o tema mitológico.
A canção que fecha o LP é “Heaven In Black”, que começa com um bom solo de bateria do infalível Cozy Powell. Guitarras em overdub tentam acrescentar tempero a uma melodia apenas razoável. Sua letra usa metáforas sobre dualidade entre luz e trevas, fechando o álbum com uma vibe mais sombria típica do Sabbath.
No geral, Tyr é um disco que tem seus momentos, mas peca por tentar abraçar muita coisa ao mesmo tempo — entre a mitologia nórdica e as experimentações progressivas, às vezes perde o foco do que faz o Sabbath ser realmente devastador.
Cross Purposes (1994)
Esse álbum marcou o retorno de Martin ao grupo após a gravação de “Dehumanizer” com Ronnie James Dio, mantendo a linha dos trabalhos anteriores. Mais ainda, é o primeiro disco de Martin que tem o baixista original Geezer Butler (que havia sido reintegrado e feito o já referido “Dehumanizer”). A bem da verdade, a volta de Butler trouxe uma pegada mais orgânica e pesada, mostrando que a química entre ele e Iommi é algo eterno. O álbum foi gravado pela seguinte formação: Tony Martin (vocal), Tony Iommi (guitarra), Geezer Butler (baixo), Geoff Nicholls (teclados) e Bobby Rondinelli (bateria).
Tony Martin Black Sabbath é uma parte fundamental da história do heavy metal.
A faixa que abre o disco é a ótima “I Witness”, com Butler botando pra quebrar junto com Iommi, mostrando que o entrosamento deles é eterno. Os versos falam de temas cristãos como culpa e redenção, numa vibe mais introspectiva que já dá o tom do que está por vir.
“Cross of Thorns” reflete sobre sacrifício e sofrimento, usando a cruz como metáfora. É uma baladinha escorada em teclados para tocar em rádio FM. No entanto, Tony Martin se sobressai e manda muito bem, provando que consegue dominar tanto as pegadas pesadas quanto as mais melódicas.
O destaque na canção meio esquisita “Psychophobia”, cuja letra passeia pela paranoia, fica com o baterista Bobby Rondinelli, que consegue dar uma energia diferente pra uma faixa que poderia facilmente passar despercebida.
A quase profética “Virtual Death” vê um mundo cada vez mais artificial (como essa letra estava à frente do seu tempo!). Musicalmente, não empolga no início. A canção traz vocais em overdub e no fim Tony Iommi dispara alguns riffs legais e é só isso mesmo.
A letra de “Immaculate Deception” critica a hipocrisia em religiões. Ela começa com um instrumental bem legal, com guitarra, baixo e bateria mostrando como é que se faz. O som do teclado e a voz preparam um clima para uma acelerada final com direito a solo fulminante. Apesar disso, o resultado ironicamente decepciona, como o nome já indicava.
“Dying For Love” é outra balada com letra romântica, onde o destaque é o vocalista mostrando sua versatilidade emocional. “Back To Eden” traz temas bíblicos e evidencia que, em termos musicais, o Sabbath era praticamente a banda de Iommi.
“The Hand That Rocks The Cradle” nos leva a refletir sobre controle e manipulação. Ela tem uma levada à la Whitesnake, mas que não empolga devido ao tom da voz de Martin (de qualidade bem inferior à de David Coverdale, convenhamos), por isso a coisa não funciona como hit.
O sludge metal “Cardinal Sin” tem o ponto alto no solo de guitarra. Uma letra bem mais ou menos critica falhas humanas em instituições religiosas, mantendo aquela pegada crítica que o Sabbath sempre teve.
Sai pra lá, “mal olhado”! Inspirada por superstições e composta por Eddie Van Halen juntamente com os integrantes do Black Sabbath, “Evil Eye” é a melhor do álbum. A participação de Van Halen traz uma aura diferente e mostra como grandes guitarristas conseguem se complementar.
“What’s The Use” encerra e traz o Sabbath acelerando novamente para se encaixar no heavy metal padrão dos anos 90, mas alcançando um resultado muito bom, mostrando uma banda afiada. Ela tem uma letra existencialista que abraça equivocadamente o niilismo, fechando o disco com uma reflexão meio pessimista sobre a condição humana.
Forbiden (1995)
“Forbidden” foi uma tentativa ousada do Black Sabbath de explorar novos territórios. Iommi convidou o rapper Ice-T para participar da faixa “The Illusion of Power” — precursora do nu metal — que abre o disco com sua letra declamada e recheada de críticas sociais. No entanto, não funcionou a mistura de gêneros. O que parecia legal na prancheta terminou soando forçado demais. O rap do Ice-T simplesmente não casa com a pegada do Sabbath, e fica parecendo que são duas músicas diferentes tocando ao mesmo tempo. A seleção foi escalada com: Tony Martin (vocal), Tony Iommi (guitarra), Neil Murray (baixo), Geoff Nicholls (teclados) e Cozy Powell (bateria).
Tony Martin Black Sabbath foi um dos melhores períodos da metal.
A ótima letra de “Get a Grip” tem versos que refletem sobre determinação e superação. Os solos de Tony Iommi são o ponto alto numa faixa com refrão bem mais ou menos — quando o gênio entra com sua guitarra, salva quase qualquer coisa.
Embora possa desagradar os fãs do metal, eu gosto muito de “Can’t Get Close Enough”, que tem uma pegada bem hard rock. Outra que poderia estar no repertório do Whitesnake com sua letra romântica.
“Shaking Off The Chains” traz versos libertários e um bom instrumental, muito embora o solo final de Iommi não esteja entre os mais inspirados do gênio. Ainda assim, a mensagem de quebrar as correntes ressoa bem com o espírito rebelde do metal.
Os versos de “I Won’t Cry For You” se referem a alguém que levou um pé e luta contra dor de cotovelo. Belos riffs e um vocal afinado e potente iluminam e dão um colorido a trechos dessa balada cheia de amargura e escuridão. Martin consegue transmitir toda a dor e ressentimento que a letra pede.
“Guilty As Hell” reflete sobre ética e moralidade e responsabilidade, com uma perspectiva cínica. Musicalmente, os integrantes conseguem momentos legais, embora como um todo, a canção não funcione.
Cozy Powell começa quebrando tudo na boa faixa “Sick and Tired”. Logo em seguida o andamento retorna ao doom metal calcado no blues rock. Embora sutil, a influência do Whitesnake (que fazia muito sucesso nas rádios FMs) é perceptível. A letra critica a necessidade de sucesso e a frustração com as pressões da vida urbana.
Por sua vez, os versos de “Rusty Angels” falam de decadência espiritual e desesperança, com imagens sombrias e poéticas. Uma ótima canção, alicerçada em belos acordes. Os pra lá de competentes músicos fazem a base para o solo de guitarra demolidor que eleva a faixa a outro patamar.
“Forbidden” é outro destaque do disco é carregada de ótimos riffs. A faixa-título aborda temas como exclusão e proibição, com um subtexto sobre lutar a favor da liberdade e contra restrições impostas, tudo isso em tom introspectivo que casa perfeitamente com o clima sombrio do álbum.
A faixa “Kiss of Death” (que novamente faz o Sabbath aterrissar no planeta Whitesnake, embora a letra fale de morte trágica e não de romantismo) é uma das melhores do álbum. Um blues rock bem legal que é guiado pela força vocal de Martin e pela discreta guitarra base de Iommi.
A canção que fecha a obra é “Loser Gets It All”, levada Whitesnake, solo arrasa quarteirão e sua letra que fala de ironias da vida, onde o “perdedor” acaba ganhando algo inesperado, com um tom filosófico e ambíguo. É um final que deixa o ouvinte pensando, o que não é pouca coisa.
Analisando de uma forma geral, “Forbidden” é um álbum que divide opiniões e tem momentos brilhantes, mas também algumas tentativas que não colaram. A influência do Whitesnake é indisfarçável, e isso tanto agrada quanto incomoda, dependendo do gosto de cada um.
Tony Martin Black Sabbath ao vivo e a cores
Completando essa jornada épica, a fase Tony Martin Black Sabbath ainda nos presenteou com Cross Purposes Live (1995), um registro ao vivo que captura toda a energia e potência que Martin e a banda levavam para os palcos. Gravado durante a turnê de Cross Purposes, o álbum mostra como essas músicas ganhavam vida, com Martin mandando muito bem nos vocais e Tony Iommi despejando riffs devastadores.
Uma prova definitiva de que a fase Tony Martin Black Sabbath funcionava pra valer nos shows, com uma pegada crua e autêntica que demonstra como a banda estava afiada nessa era. Para quem quer sentir a verdadeira essência dessa fase, Cross Purposes Live é documento obrigatório que mostra o Sabbath no seu elemento natural: arrebentando tudo no palco.
A fase Tony Martin Black Sabbath
Após anos de turbulência e turnês singelas, a era Tony Martin Black Sabbath reviveu com força no final da década de 80, surpreendendo fãs e críticos. O ponto alto dessa era veio com Headless Cross (1989), considerado uma “joia oculta” do quinteto. Com Tony Iommi comandando riffs grandiosos e Martin entregando vocais dramáticos, o disco representa um encontro entre o peso clássico do Sabbath e uma atmosfera oitentista. Foi justamente na fase Tony Martin Black Sabbath que o grupo reconquistou credibilidade e lançou o que talvez seja o trabalho mais subestimado de sua jornada.
Essas impressões mandam a real: a fase Tony Martin Black Sabbath deu continuidade à essência da banda, ao mesmo tempo em que explorou novos timbres e estruturas, como se eles simplesmente resistissem às mudanças, mas evoluíssem.
Nas suas duas etapas (1987–1991 e 1993–1997), a era Tony Martin Black Sabbath produziu cinco álbuns de estúdio e se consolidou como o segundo período mais extenso da banda, ficando atrás apenas da era Ozzy. Se Headless Cross reina como a obra-prima dessa etapa, trabalhos como Tyr e Cross Purposes também foram elogiados, incluindo hoje na recém-lançada caixa Anno Domini 1989–1995, que resgata e remasteriza esses álbuns.
A era Tony Martin Black Sabbath foi um capítulo de redenção, criatividade e resistência. Dessa forma, o Sabbath sobreviveu, se reinventando com autenticidade e unindo a densidade de Iommi ao poderio vocal de Tony Martin.
Abração!


