“AT – Foi difícil avançar sem Jon Anderson cantando?
CS – Na verdade, não. As pessoas se movem adiante, os tempos mudam, as coisas se atualizam. É isso que acontece. Nós não estávamos ajustados para trabalhar com ele. Como a maioria das coisas ao longo do tempo, as coisas começam a se encaixar, e foi indo excepcionalmente bem com Benoit.
AT – Ouvi dizer que há uma história interessante sobre Benoit…
CS – Quando eu estava em Londres, há uns 3 ou 4 anos atrás, um amigo me mostrou um vídeo no YouTube do que parecia muito ser um show do Yes. Eu estava meio distraído, fazendo outra coisa. Então, quando eu realmente comecei a prestar atenção, percebi que era realmente a banda cover Close to the Edge, da qual Benoit era o vocalista. Fiquei impressionado com sua habilidade em cantar de maneira muito similar a Jon Anderson. Percebi que se algum dia precisássemos de alguém para substituir Jon, ele tinha que ser o cara.
AT – Conte-me sobre o novo álbum do Yes.
CS – Na verdade, o Yes não fazia um álbum de estúdio há algum tempo. Tivemos gravações ao vivo durante os últimos 10 anos, mas não fomos para o estúdio em quase uma década. Não tocaremos as músicas novas na atual turnê (risos), mas estaremos fazendo uma outra, no verão, para apresentar o novo álbum.
AT – Vamos falar sobre a próxima mini-turnê, tocando locais menores, mais intimistas. O Yes construiu um legado de alguns dos maiores espetáculos da história do Rock.
CS -Às vezes é apenas muito bom tocar em um lugares menores. É realmente muito divertido estar tão perto do público. Eu sempre gostei de shows em lugares enormes, assim como também de shows mais intimistas…
AT -Nos últimos 40 anos, os membros vêm e vão, os sons mudaram, e o tempo passou. Ainda assim, você é o único membro do Yes que participou da banda desde o início. O que te motiva a fazer novas músicas? O que motiva o Yes?
CS – A grande coisa que eu descobri é que quando novos membros vieram para a banda, isso funcionou como uma injeção de adrenalina para nossa força musical. Quando as alterações acontecem, os novos membros trazem com eles novos conjuntos de idéias e novas possibilidades sonoras. Eu tive muita sorte por conseguir aprender muito com todos os diferentes membros com que toquei.
AT – Sendo uma parte fundamental do som Yes, você acha que o novo álbum completará um ciclo, ou você acha que a banda vai continuar a ser marcada por mudanças. Fale mais sobre a saga do Yes, nesses 40 anos.
CS – Sobre este novo álbum, também estivemos trabalhando com Geoff Downes nos teclados, que estava na banda, em 1980. Então, esse fato terá bastante influência sobre o álbum. Trevor Horn está produzindo o álbum. De certa forma, o álbum novo vai ser a interessante complementação de um trabalho; um “Drama” revisitado. Tendo completado as faixas, eu estou extremamente feliz com ele, e eu acho que a maioria das pessoas vai se surpreender com a direção na qual estamos indo, porque incorporamos alguns valores da década de 70, há um tema que tem mais de 20 minutos de duração. E tudo soa muito bem para mim, mas isso é tudo que vou dizer.
AT – Olhando para trás, o Yes era uma parte importante de um grupo de bandas cujo som teve um papel formativo na criação de um gênero que críticos de Rock viriam a chamar de “Rock Progressivo.” O que acha desse rótulo?
CS – Bem, confortável com ele ou não, isso é o que eles usam (risos). Mas eu estou bem com ele.
AT – Além do sucesso comercial e de crítica, o Yes tem tido um impacto significativo sobre o legado do Rock, junto com grupos progressivos, como King Crimson e Rush. No entanto, parece que vocês tem sido negligenciados quando se trata de coisas como o Rock and Roll Hall of Fame. Você acha que o Yes merece ser introduzido no Rock and Roll Hall of Fame?
CS – Eu realmente não sei como eles determinam os candidatos para o Rock and Roll Hall of Fame. Eu sei que Jann Wenner, o cara que toca a Rolling Stone, é uma grande influência sobre a maneira como as coisas vão, e a revista Rolling Stone nunca foi fã de música progressiva. Dito isto ou não, o Yes merece algum reconhecimento, afinal temos alguns dos álbuns mais vendidos e fizemos shows com alguns dos maiores públicos da história do Rock, em todos os tempos. Talvez em algum momento, alguém vai notar isso (risos). Puseram o Gênesis, no entanto. Então talvez isso signifique bons ventos para a música progressiva. Vamos ver o que acontece.
A atual formação do Yes é: Benoît David (vocal), Chris Squire (baixo), Steve Howe (guitarra), Alan White (bateria), Oliver Wakeman (teclados ao vivo), Trevor Horn (vocais adicionais e produção) e Geoff Downes (teclados em estúdio).
Em outubro de 2010, o Yes anunciou a assinatura de um contrato com a Frontiers Records para a realização do projeto e, no mesmo ano, a banda começou a gravar o novo álbum em Los Angeles com o produtor Trevor Horn – com ele co-escrevendo e fazendo alguns backing vocals, isso é quase um retorno à programação do álbum “Drama” (1980). As gravações foram até em janeiro de 2011, e, em março de 2011, Squire anunciou que a banda acabara de gravar o disco, mas que o trabalho não estaria totalmente concluído (mixagens etc) antes do final de abril.
A canção “”We Can Fly from Here” (ver post anterior) terá um estilo bem mais chegado ao Prog Rock, e será “dividida” (para efeitos radiofônicos) em seis partes: “Fly from Here – Overture”, “Fly from Here – Pt I – We Can Fly”, “Fly from Here – Pt II – Sad Night at the Airfield”, “Fly rrom Here – Pt III – Madman at the Screens”, “Fly from Here – Pt IV – Bumpy Ride” e “Fly from Here – Pt V – We Can Fly (reprise)”.
O líder da banda, Chris Squire, disse que as portas do Yes estão abertas para a volta do letrista e vocalista original, Jon Anderson, mas afirmou que isso não iria acontecer antes de pelo menos mais um ano promovendo o novo álbum.
Aqui, publicamos a mesma faixa (“We Can Fly from Here”), numa versão mais progressiva, desta vez levada pela banda de Trevor Horn (vocal e baixo) e Geoff Downes (teclados).
“Fly from Here” será o vigésimo primeiro álbum de estúdio do grupo de Rock Progressivo, Yes, e deve ser lançado nos Estados Unidos em 12 de Julho de 2011, e no Japão em 22 de Junho. Será o primeiro álbum de estúdio desde “Magnification”(2001).
O tecladista Geoff Downes (Asia) retorna à banda junto com o genial produtor/vocalista Trevor Horn, que dividirá os vocais com Benoît David, substituindo o lendário Jon Anderson. Já se sabe que o novo disco incluirá um longo e elaborado tema progressivo, ao estilo do épico álbum “Close to the Edge” (1972).
Abaixo, “We Can Fly from Here”, faixa que ficou de fora do álbum “Drama”(1980), que será regravada (em estilo mais progressivo) e que estará incluída no novo disco: